Notícia

Em Cajazeiras, a Fundação Abrigo de Idosos é um refúgio de amor e memórias preservadas

Publicado em 29/04/2026 às 13h16   Primeiro acesso a esta página

Segunda parada da comitiva da Lotep revela como a dedicação voluntária da Irmã Francisca reergueu uma instituição histórica, garantindo dignidade e cuidado especializado para 23 idosos.

Em Cajazeiras, a Fundação Abrigo de Idosos é um refúgio de amor e memórias preservadas

A jornada de visitas técnicas da Loteria do Estado da Paraíba (Lotep) pelo Sertão encontrou mais uma “família de idosos”. A Fundação Abrigo de Idosos “Luca Zorn”, em Cajazeiras, não é apenas uma estrutura de acolhimento, mas sim o resultado de uma vida inteira de dedicação da Irmã Francisca, que transformou a responsabilidade de cuidar em uma missão de amor.


Recebidos pela fundadora, a equipe da Lotep percorreu corredores repletos de fotografias que narram a trajetória da casa, fundada originalmente em 1973 por um padre italiano. Após um período de fechamento na década de 80, foi a coragem da Irmã Francisca que, em 1996, reabriu as portas. "Perguntaram quem tinha coragem de assumir, disseram que ninguém era doido por causa da responsabilidade. Então eu abaixei a cabeça, não falei mais nada, só assim mesmo, mas quando eu cheguei lá me deu bem ‘tristão’”. Foi aí que ela decidiu que iria “fazer acontecer", relembra emocionada da história que hoje tem 3 décadas.

O impacto do apoio: Transparência que gera cuidado

Manter uma estrutura para 23 residentes, com capacidade para 25, ainda é um desafio logístico rigoroso. Durante a visita técnica, Rafael Maia, chefe de gabinete da Lotep, e a equipe de Políticas Públicas puderam entender melhor a organização administrativa da casa. Compreenderam o custo mensal de manutenção e metodologia de trabalho para manter a instituição em equilíbrio constante.

O apoio da Lotep e as parcerias governamentais (como o projeto Acolher, da SEDH) são vitais para que os recursos permanentes, como camas novas e reformas, saiam do papel. "Tudo aqui é documentado. Temos alvarás, fiscalizações do Corpo de Bombeiros e prefeitura em dia. É um trabalho de formiguinha, pedindo e prestando contas de cada centavo", explicou a gestão da Fundação.

Além das trocas técnicas, o encontro também revelou os pequenos detalhes do dia a dia que trazem leveza para o ambiente através de histórias únicas. Esse é o caso das “gêmeas”, duas idosas que chegaram no mesmo dia, uma com 86 e outra com 75 anos, que se adotaram como irmãs. "A mãe sou eu! Elas cuidam uma da outra e não se largam por nada", brinca Irmã Francisca.

O abrigo também tem as suas estrelas de cinema, moradores vaidosos, como uma idosa que faz questão de estar sempre arrumada e "perfumada", mostrando que o envelhecimento também é vivido com autoestima. Além do gatinho do abrigo, o xodó dos idosos e da técnica de enfermagem, que serve como suporte emocional para os residentes.

Durante essas trocas, a equipe técnica mapeou demandas urgentes, especialmente na área farmacêutica. Com um gasto de cerca de R$ 3 mil mensais em medicação (muitas vezes psicotrópicos que não são supridos integralmente pela rede pública), a Fundação precisa recorrer constantemente a doações de pessoas físicas e empresas parceiras.

"Nossa folha de pagamento hoje conta com 10 funcionários contratados, entre enfermeira, técnicas de enfermagem e cuidadores. O trabalho é pesado, mas o coração é o que move cada um aqui", destacou a coordenação.

A visita da Lotep reforça que o fomento social vai além do repasse financeiro; trata-se de reconhecimento. "Ver esse movimento, essa doação e esse 'coração' pulsando dentro da instituição nos dá a certeza de que a transparência dos recursos da Lotep encontra aqui o seu melhor destino", destacou a equipe da autarquia.

Esta reportagem encerra mais um capítulo da série Impacto Lotep – Histórias do Sertão, reafirmando que o jogo legal na Paraíba é um instrumento direto de transformação social e amparo àqueles que já dedicaram tanto à nossa sociedade.

Logística e transparência: Como o apoio da Lotep chega ao Sertão

Um dos pontos altos da visita técnica foi o detalhamento de como os recursos provenientes do jogo legal são convertidos em assistência direta. Rafael Maia explicou aos gestores que o repasse não é apenas um número, mas uma operação coordenada entre a autarquia e seus operadores lotéricos autorizados.

"O nosso trabalho funciona através do acionamento dos operadores. Eles pagam os impostos devidos ao Estado e uma parte desse recurso é direcionada para as instituições da sociedade civil, como a Fundação. Por isso é tão importante a regularização documental e a nossa presença aqui in loco", destacou o chefe de gabinete.

O direito ao cuidado

A Irmã Francisca reforçou que cada centavo recebido tem um destino sagrado: o bem-estar dos idosos. Ela detalhou o rigor com que as receitas médicas e comprovantes são tratados. "É tudo legalizado. Receita, comprovante, tudo pelo médico. Ninguém inventa nada. Eu peço não para mim, mas para eles, que têm esse direito adquirido", afirmou.

A fundadora celebrou a nova fase de parceria, que traz fôlego para a fundação enfrentar os desafios financeiros. "A gente vive de doação, é uma associação filantrópica sem fins lucrativos. Ter esse repasse mensal garantido pela Lotep é o que nos permite dormir com a lembrança de que o trabalho vai continuar", concluiu.

Ao final da tarde, a comitiva deixou o abrigo com a certeza de que a Fundação Abrigo de Idosos de Cajazeiras é um modelo de como a gestão humanizada pode transformar a última etapa da vida em um período de dignidade e alegria.

A série Impacto Lotep – Histórias do Sertão continuará apresentando, nas próximas semanas, outros exemplos de instituições que, através do apoio institucional e da solidariedade comunitária, seguem mudando a realidade social da Paraíba.

INFORMAÇÕES À IMPRENSA
Loteria do Estado da Paraíba – LOTEP
WhatsApp